Quanto tempo fica a cheirar algo que não lhe agrada?

Não sei se é algo que ocorre apenas por volta dos 40, ou se passa com toda a gente independentemente da idade; mas conhecem aquela sensação de quem tem uma vida inteira pela frente e ao mesmo tempo a grande dúvida de saber o que fazer com ela?

Uma das minhas clientes de Coaching partilhava comigo que, no outro dia ao acordar, olhou-se ao espelho e na sua mente disparou com a intensidade de uma sirene de ambulância o seguinte pensamento. “Não sei o que quero fazer da minha vida!”.

Tinha apenas uma certeza, da mesma forma que não ficaria muito tempo a cheirar algo que não lhe agrada, também não fazia sentido manter-se nesta vida que já não a fazia feliz!

Quem permanece muito tempo a cheirar algo que não agrada, acaba por acreditar que o perfume das rosas, já não existem! (NM)

Está cansada da rotina, do vazio que sente em relação ao trabalho, que apesar de ser satisfatório já não a desafia. Cansada de não ter tempo para si, para fazer o que a ama e para investir na relação amorosa, que esta cada vez mais acomodada. É neste momento que decide procurar um coach, essa moderna profissão que dizem que ajuda a orientar aquelas pessoas que estando “meias perdidas”, ainda estão “terapeuticamente saudáveis”, seja lá o que isso for.

A primeira sessão mudou a sua vida. Não porque tenha sido algo extraordinariamente novo ou revelador mas porque tomou consciência que não precisava saber o que queria realmente para seguir viagem, pois bastava para isso saber aquilo que não queria, e isso para ela estava bem evidente. Teve apenas que fazer uma tarefa, aplicando a auto análise á sua vida atual, para que tudo ficasse bem mais claro.

Se sente que sabe o que não quer na sua vida com maior clareza do que aquilo que realmente quer, então vai adorar fazer este exercício. Caso contrário, quanto mais tempo vai continuar a cheirar o que não gosta?

1-Identifique a área a intervir – Escolha uma área da sua vida (vida em geral, relação, trabalho, família, etc) na qual não se sente como gostaria neste momento

2- Identifique as barreiras – Faça uma lista das coisas que não gosta e não quer manter nessa área (o que lhe despoleta sentimentos negativos)

3- Crie clareza para seguir em frente – leia cada ponto que escreveu e para cada um pergunte-se: “O que quero ao invés disso?”

4- Risque o item da coluna das barreiras e escreva na coluna ao lado a resposta à pergunta anterior.

Esta é uma primeira etapa fundamental de qualquer processo de mudança, e agora? O que faço com estes meus desejos? Como os mantenho ativos e garanto que não me desligo deles? (tema da próxima sessão)

Exemplo:

A minha ___VIDA___ ideal!

A – coisas que não quero e não gosto B- coisas que gosto e quero
Não quero acordar de manhã sem ânimo Quero acordar motivada para ter um bom dia
Não quero sentir-me estagnada Quero sentir que evoluo gradualmente
Tenho sempre desculpas para não agir Quero ser capaz de ter soluções para lidar com os desafios
Sentir-me incapaz… Sentir que tenho recursos e sou capaz de os usar
(…) (…)

Para uma vida mais plena e preenchida deve identificar o que a faz sentir-se bem e faze-lo mais frequentemente! (NM)

1 reply
  1. Isabel Parreira
    Isabel Parreira says:

    Tive este pensamento exactamente aos 39, por isso deve ser da idade, um dia olhei para o espelho e pensei, quem é esta mulher tão diferente daquela que imaginei que ia ser quando fosse grande?, olhei para as rugas e considerei que eram traços de maquilhagem mal espalhada, vi o olhar triste e o desalento da alma e considerei que era a falta das férias e o ar frio do inverno… tudo fatores externos que não conseguimos controlar, como convém, para não nos sentirmos culpadas pelas nossas maleitas. Ao fazer esse exercício de auto analise encontrei um tesouro, a “mofaz” = motivação para fazer… o quê, podem perguntar? pois naquele momento nada me ocorreu, só depois de uma busca mais afincada encontrei a solução, voltar a estudar, valorizar-me, sentir que o cérebro ainda funciona.
    Pode parecer estranho este tipo de pensamentos aos 39 anos, mas quando começamos a entrar no automatismo da vida, nas famosas rotinas, isto é muito real, e quando não conseguimos encontrar dentro de nós o objectivo para a “mofaz” um coach é o melhor concelheiro que podemos ter.

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