“Porra, aos anos que ando a adiar isto!”

Ela estava muito ocupada a fazer coisas que se calhar nem devia estar a fazer quando percebeu que tinha deixado de fazer o que realmente devia estar a fazer, e dai a sua infelicidade.

Agora era sem dúvida o momento em que podia mostrar a si própria que o controlo da sua vida estava nas suas mãos e que ia poder recuperar o tempo perdido, as relações que tinha afastado, as tarefas que tinha adiado e as conquistas merecidas que continuavam penduradas no frigorífico como sonhos “congelados” pelo tempo.

Vivemos numa sociedade que nos “distrai” pelo excesso de estímulos apelativos e até viciantes, muitos deles até nos divertem e fazem esquecer as responsabilidades e a pressão do dia-a-dia, o que é bom, não fosse o mal de se tornarem um hábito nocivo e rotineiro cujo culminar muitas vezes é aquele momento em que paramos e pensamos:

“Porra, aos anos que ando a adiar fazer isto e aquilo!”

Adiar ou procrastinar ou fazer de conta que estamos esquecidos, chamem-lhe o que quiserem, não teria nada de mal se não fosse muitas vezes quando decidimos avançar já ser tarde demais. Foi o que me aconteceu recentemente. Ando há anos a pensar ser dadora de sangue e de medula.

“Pensamento sem ação é mera especulação ilusória”

Quando voltei de férias percebi que andava a circular uma campanha nas redes socias, para colocar uma foto a preto e branco e seres solidaria com as causas de cancro. Chamou-me à atenção alguém que respondeu: “ Não aceito o desafio. Vão mas é dar sangue ou façam um donativo que isso sim vai contribuir para que algo aconteça!”

Coloquei a foto a preto e branco pois acredito no poder da intenção e da energia coletiva mas também acordei no dia seguinte de manhã pronta para ir dar sangue.

“Mesmo ações aparentemente insignificantes, tem uma carga energética e um impacto. ”

Foi um dia impactante pois percebi que aquilo que desejava há anos não ia poder acontecer. E foram estas as palavras da médica: “Não pode ser dadora, nem hoje nem nunca, pois recebeu ano passado uma transfusão, e a lei não lhe permite!”

Nesse momento cheguei numa fração de segundos a várias “pensações” daquelas que nos trazem a lágrima ao canto do olho, que nos põem um nó na garganta e que nos fazem reagir na hora pelo impacto que tem. Baseado nesta experiência decidi que só procrastino aquilo, que se nunca acontecer, terá impacto nulo na minha vida… e a boa pergunta é:

“Como sei que o impacto que algo que adio vai ser nulo na minha vida?”

Termino com um pequeno exemplo da importância da não procrastinação.

“Acordei de manhã com uma enorme dor de costas. Andava há mais de 1 mês a programar fazer a depilação mas conseguia sempre encontrar uma desculpa, uma prioridade e adiar. Mas nesse dia a dor de costas aumentou exponencialmente e tive que marcar uma consulta no ortopedista de urgência. O meu ortopedista tem já idade avançada e por fração de segundos pensei, ele não vai querer saber dos meus pelos por isso ainda não é desta que trato disso. Quando chego à consulta, sou informada que o meu médico tinha tido um imprevisto e ia ser substituído. O novo ortopedista era um jovem bonito. Senti-me mal, não pelos pêlos nem pelo impacto que estes iam ter no médico, pois o objetivo era tratar das costas, mas porque me fez pensar em que outras áreas da minha vida algo idêntico poderia acontecer e ter impacto.” (testemunho real de mulher)

Que exemplos tem de procrastinação? Como fazem para ultrapassar este comportamento? O que gostariam de saber mais sobre este tema? Partilhem e em breve e em breve escreverei sobre como lidar com este tema na prática.

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