Sou mais feliz quando abdico do controlo

De repente dei-me conta que perder o controlo podia elevar os meus níveis de felicidade!!!

A maioria das pessoas, tem uma necessidade inconsciente de ter controlo e certeza na sua vida. Permite-nos acreditar que temos algum domínio nos eventos externos o que eleva a ilusão de podermos ser mais eficazes na gestão e alcance dos nossos objetivos, e por outro, permite-nos acreditar que temos algum poder de decisão não arbitrário.

Vários estudos nesta área comprovam que ter controlo, nos eventos externos, nos outros, e nas nossas emoções pode ser um facilitador da felicidade mas como tudo na vida, quando ultrapassamos o limiar do bom sendo, pode tornar-se bloqueador e até mesmo depreciativo do nosso bem estar e do alcance dos nossos objetivos e resultados.

Poderá a perda de controlo elevar os meus níveis de felicidade?

A resposta é sim! Excessiva necessidade de controlo interfere com os nossos níveis de felicidade. Aprender a apreciar a incerteza ao invés de evita-la é uma forma de gestionar esta variável nas nossas vidas. Aceitar que a incerteza é o tempero da vida (sem ela tudo seria rígido e demasiado previsível) pode ser um bom começo.

Como seria se antes de ir ver um filme já soubéssemos tudo o que ia acontecer e como iria acabar? E se quando iniciamos uma relação (amorosa, pessoal ou profissional) já tivéssemos total certeza de como seria e quais os pontos fortes e frágeis que iriamos ter que gerir?

É quase como aquela sensação de recebermos uma prenda e já souber o que lá estava dentro antes de abrir, perde a piada, perde o encanto….

O que fazer então perante esta necessidade inata de controlo e certeza, e o impacto limitativo que o seu uso excessivo tem nas nossas emoções positivas? Deixo 3 sugestões: em relação aos outros, em relação ao eu e em relação ao amor.

1- Dosear o controlo na relação com os outros

Comecemos com uma reflexão: “Como se sente quando está debaixo do controlo de outra pessoa?” Há quem diga que numa relação ou temos o controlo nos outros ou temos o seu amor, dificilmente ambos. O psicólogo David McClelland utiliza o conceito de “power stress” para descrever a sensação de frustração e raiva que sentimos quando os outros não se comportam da forma que gostaríamos ou desejamos.

Por outro lado, a qualidade das nossas decisões é deveras afetada quando não permitimos a diferença de opiniões e a variedade que enriquece os diferentes pontos de vista. Se gostamos muito de controlar vamos querer ter por perto pessoas que se deixem controlar, e que por consequência, anulam a sua opinião.

2- Dosear controlo na relação com os eventos externos

Ter objetivos alimenta a felicidade, querer ter um controlo exagerado nos eventos que os determinam e ser completamente rígido e intransigente no caminho para o seu alcance é que pode ser a grande ameaça – passamos a ser controlados totalmente pelo desejo, muitas vezes obsessivo, de alcançar esses mesmos resultados.

Sabia que a nossa pressão sanguínea aumenta quando somos colocados em situações em que temos menor controlo? Ou seja, quando a vida nos desafios com o imprevisto (o que é bastante comum) o nosso desejo e necessidade de controlo eleva-se). Regra geral, pessoas com elevada necessidade de controlo, tendem em consequência a lesar a sua capacidade de decisão, tendem a ser mais supersticiosos, e até mesmo a correr mais riscos no sentido de aumentar a sua certeza, caindo no que em psicologia se chama, ilusão de controlo (atribuição de um controlo não real perante uma dada realidade).

Um outro aspeto a considerar, é quando nos tornamos rígidos no controle de uma situação, tende a ter impacto na nossa realidade física e emocional, assim como das nossas relações, pois muitas vezes queremos tanto controlar algo que acabamos por abdicar outros aspetos da nossa vida que nos fazem felizes.

3- Dosear o auto controlo

A incerteza pode intensificar eventos positivos, quando temos dúvidas em relação ao que de bom pode acontecer. No entanto o mesmo não acontece em relação à antecipação dos eventos negativos. A nossa experiência pessoal demonstra-nos que podemos aceitar melhor a incerteza quando aceitamos que nem tudo na vida esta no nosso controlo. Não controlamos totalmente a nossa saúde, nem as nossas relações, nem algumas das variáveis externas e aceitar isso pode ser um aliado á felicidade. Por outro lado, acreditar que podemos controlar o nosso tempo, as nossas emoções (ou pelo menos geri-las melhor) e os nossos pensamentos também se manifesta num elevar da nossa felicidade.

No meio desta dualidade, a minha sugestão para ti, é que assumas o controlo de algo fundamental: saber quais são as variáveis que te fazem feliz e assumir o controlo das mesmas pois sempre que colocamos nas mãos do imprevisível o que nos faz feliz a ansiedade aumenta. Por isso, que tal começar a controlar o que diretamente interfere com os nossos níveis de felicidade: comer melhor, dormir melhor, praticar exercício, passar tempo de qualidade com as pessoas que amamos e acima de tudo estarmos mais conscientes que não podemos controlar os sentimentos dos outros e as suas escolhas mas podemos sim ser mais responsáveis pelo nosso bem estar, as nossas emoções e os nossos pensamentos.

Diariamente aplico estes básicos na minha vida, ensino-os e treino-os através do coaching psicológico e da formação e acredito claramente que sim, que é possível ser mais feliz sendo menos controlador!

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