“Desaprender o aprendido”

Imaginem o vosso cérebro como se fosse a enorme biblioteca de Alexandria, cheia de livros e conteúdos para leitura. Todo o potencial de informação encontra-se disponível contudo apenas teremos capacidade de efectuar algumas leituras e implementa-las na nossa vida.

Vamos organizando as nossas aprendizagens em prateleiras, explorando novas temáticas, dominando novos conceitos, ficando sempre algo por conhecer. Nessa mesma biblioteca temos um arquivo secreto (com informação desconhecida que nem sabemos que dispomos), um arquivo activo (com a informação que lemos e utilizamos regularmente nas nossas interacções), um arquivo paralelo (com as informações que nos são dadas pelos outros como opções de leitura) e um arquivo morto (onde guardamos informação que já não ocupa as prateleiras mais usadas mas cuja informação é utilizada na mesma).

O indivíduo, na sua vida pessoal e profissional, deve cada vez mais estar preparado e consciente não só da forma como adquire novos conceitos e aprendizagens mas também em perceber como “desaprender” práticas e conceitos que já não lhe são úteis.

A aprendizagem consiste em assimilar uma série de conhecimentos e automatiza-los.

Sabemos que sabemos quando sabemos que aprendemos. O Cérebro humano tem milhões de potenciais conexões neurológicas que existem mas nunca foram activadas, i.e., ainda não passou informação por elas. É quase como um mapa de estradas à espera de serem utilizadas como forma de ir de um local ao outro mas que só tomamos consciência delas após lá passar uma vez. A aprendizagem é a competência humana que abre essas estradas neurológicas e as automatiza.

A informação transmite-se a nível neurológico através de uma alteração do potencial eléctrico que se desenvolve dentro de cada neurónio, e de uma alteração química quando a informação passa de um neurónio para outro. Os neurotrasmissores são os responsáveis por esta missão. Para aprendermos algo temos que passar por 4 etapas:

  • Incompetente Inconsciente: (arquivo secreto) não sabemos que não sabemos. A ignorância da nossa ignorância torna-nos vulneráveis. Exp. Tenho um amigo português, que foi aos EUA e ao ser apresentado a uma jovem, cumprimento-a com 2 beijos na cara. A rapariga ficou pálida e afastou-se. Explicaram-lhe mais tarde que na cultura norte americana, só se dá beijos a raparigas quando se tem muita confiança. Ele não sabia que não sabia que não devia dar beijos às raparigas norte americanas num primeiro encontro, até ter sido alertado para não o voltar a fazer a não ser que quisesse ser acusado de abuso sexual. Aprendeu assim algo que não sabia. – fase da ignorância.
  • Incompetente consciente: (arquivo paralelo) a 2da etapa da aprendizagem é reconhecer conscientemente que não sabia e que estava limitado pelos seus hábitos e costumes europeus, e que o impulso de andar aos beijos independentemente da confiança que tinha com as miúdas era um costume que não o servia numa cultura diferente. – fase da busca de informação sobre o que não sabemos.
  • Competente consciente: (arquivo activo) a seguinte rapariga que lhe apresentaram, custou-lhe mas ele estendeu-lhe a mão. Ela não ficou pálida mas mesmo assim ele notou desconforto pelo que lhe explicaram que devia faze-lo a uma distancia maior pois estava a invadir o seu espaço pessoal. À medida que ia conhecendo mais miúdas ia aprimorando a técnica. Estava assim a aprender conscientemente a sua nova técnica, dominando pouco a pouco as novas regras. – fase do conhecimento
  • Competente inconsciente: (arquivo morto) numa 2da viagem este meu amigo voltou e apercebeu-se que já não tinha que pensar para cumprimentar correctamente as americanas, fazia-o naturalmente e de forma automática. Aqui a nossa mente consciente fixa o objectivo e a inconsciente põe em prática, permitindo a economia mental para que a mente consciente se dedique a outras coisas. – fase da sabedoria. O nosso cérebro já conseguiu assimilar de tal forma o conhecimento que já não necessita prestar-lhe atenção pois forma parte da nossa estrutura mental.

Se não sabe que sabe, acredita que sabe. Por outro lado se acredita que sabe e não sabe, actua como se soubesse. Todos nós possuímos ainda alguns livros que não lemos e ter consciência disso permite-nos procura-los.

Explore a sua biblioteca mental fazendo alguns dos exercícios que lhe sugerimos:

  1. Realize uma lista de todas as atividades que esta a realizar no âmbito da competência inconsciente (ex. atividades que faz de modo mecânico, espontâneo mas com bons resultados)
  2. Realize uma lista das atividades que esta a realizar no âmbito da competência consciente (ex. atividades que planei e sobre as quais ainda tem que pensar para executar com sucesso)
  3. Realize uma lista das atividades que está a realizar no âmbito do incompetente inconsciente (ex. faça um brainstorming de atividades que nunca fez e que imagina que se fizesse poderia ser um caos; outra estratégia é proporcionar-se novos estímulos)
  4. Realize uma lista das atividades que esta a realizar ao nível incompetente consciente (ex.atividades que faça mas não da forma mais eficaz e correta e sei isso)
  5. Analize os resultados da lista anterior e decida quais das atividades pode mudar e uma vez identificadas essas atividades implemente ação para treinar a mudança. A prática e repetição são estratégias eficazes de mudança.

Lembre-se sempre: “Conhecimento não significa acumulação e Informação mas sim competência para atuar e utilizar a informação que se dispõe!”

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