As suas relações são Wabi Sabi?

Estou a ler um livro de Arielle Ford sobre o que pode adicionar perfeição ás nossas relações. O principal ingrediente chama-se Wabi Sabi – uma antiga arte japonesa que procura descobrir a beleza e a perfeição na imperfeição, encontrando a beleza em coisas modestas, humildes e não convencionais.

Quando iniciamos uma relação tudo é belo e perfeito, estamos encantados, ou por amor, ou pela amizade ou até mesmo pela novidade. Não significa isto que as imperfeições não estejam lá significa sim que não nos estamos a focar nelas.

“Aprendemos a ter boas relações, não quando encontramos as pessoas perfeitas (será que elas existem?), mas quando conseguimos ver de maneira perfeita, uma pessoa imperfeita!”

(Sam Keen)

Somos programadas a ser especialistas na deteção de falhas; a esperar a perfeição em nós e nos outros; a centrarmo-nos numa tentativa, muitas vezes frustrada, de mudar o outro para que nos agrada e pior que isso a mudar o que valorizamos para agradar o outro. John Gottman, psicólogo e investigador na área dos relacionamentos concluiu que cada casal feliz possui cerca de dez diferenças inconciliáveis. Sendo assim, não será melhor, ao invés de querer transformar a sua cara-metade em algo que não, encontra algumas estratégias de aceitar os seus defeitos vendo o que de bom podem trazer á relação? Pois é sobre esta arte de mudar a forma como decidimos ver as coisas, que vamos falar a seguir, através da partilha de alguns exercícios que pode começar já a por em prática na sua relação.

Existe algum hobby, paixão ou atividade da sua cara-metade que lhe custe aceitar? Quando “desenhou” a pessoa ideal pediu que não fosse um fanático do desporto televisivo e agora tem aceitar a ausência do seu parceiro horas, em frente a uma caixinha quadrada?

Solução: Aponte 5 ou mais aspetos que melhorariam a sua relação se conseguisse descobrir uma forma e aceitar e/ou gostar daquilo que a sua cara-metade mais aprecia.

Lembre-se que uma focagem regular no amor, no apreço e na gratidão aumenta os seus sentimentos positivos.

Existem aspetos da relação que a irritam solenemente. Quando combinam sair, para si estar pronta a horas permite um atraso de 15 minutos exceto quando pressionada pelo seu companheiro que esta pronto sempre 15 minutos antes e não para de a pressionar?

Solução: faça uma lista das várias situações em que um determinado comportamento a irritou. Agora responda ás seguintes questões: Quantas mais vezes permitirei que este comportamento me irrite? Em que é que a procura e defeitos do meu parceiro me beneficia? O que é que este estado de irritação me impede de beneficiar? Onde é que aprendi a ficar irritado com o comportamento dos outros? E por último, quais os três aspetos positivos que posso aprender com esse comportamento?

Lembre-se que não pode mudar o seu companheiro mas pode mudar a perceção que tem em relação a algumas das suas características.

Tende a atribuir alguns dos problemas da relação a características do seu companheiro? Estilo, adora sair á noite com os amigos e o seu companheiro não quer ir pois prefere ficar em casa a ver séries? Tem um estilo de vida saudável e o seu companheiro come como um desalmado e é sedentário?

Solução: observe de forma discreta durante cinco minutos o seu companheiro. Procure identificar cinco coisas que tenham mudado no seu companheiro. Pode ser uma nova peça de roupa ou adereço, pode ser o perfume ou até mesmo um novo interesse.

Lembre-se o mundo pode ser como tu dizes que é e como eu digo que é. É a falta de consciência das pequenas mudanças que nos passam despercebidas com o tempo que podem estar na origem do afastamento, tenha consciência plena das mudanças e dos pontos de união.

Conscientemente ou não, os casais de sucesso implementam estes e outros exercícios de base Wabi Sabi (é o caso de Michelle e Barak Obama), não tentam mudar o outro á força, ou julga-lo mas sim aceita-lo e perceber o que pode aumentar o sentimento que os une ao invés de destrui-lo. Ao fim ao cabo, o ideal para a chama do amor é que encontremos mil formas de a apagar ou estratégias de a manter acesa?

“No amor ocorre o paradoxo de dois seres se tornarem um, mas continuarem a ser dois” (Erich Fromm)

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